Sou cérebro tá apodrecendo, mas você tá muito cansado para perceber isso

Em 2024, brain rot foi eleito expressão do ano pelo Dicionário Oxford, o termo em inglês que significa “Apodrecimento Cerebral” se refere ao contexto atual em que o consumo excessivo de conteúdos digitais rápidos e superficiais tem resultado em desgaste e fadiga mental, corrompendo intrinsecamente os nossos padrões neurais. Quem diria que ter um computador de bolso com inúmeras Inteligências Artificiais iria ocasionar em uma perda cognitiva?
Bem, qualquer criança que nasceu nos anos 90 vai se lembrar dos pais alertando para o perigo de ficar muito tempo em frente a tela da TV. "Vai brincar na rua", “Sai da TV” eram frases comuns, nos últimos 20 anos demos um salto nunca imagens para qualquer geração, e o que antes era visto como nocivo atualmente é comum, as crianças já nascem imersas na tela, agora na microtela de um smartphone. Somos inundados de vídeos infinitos, informações não solicitadas e um contato constante com um número exacerbado de pessoas e de robôs fingindo ser pessoas. Você já ouviu falar sobre o Número de Dunbar, esse é um conceito científico que diz que o cérebro humano foi adaptado evolutivamente para conviver e manter relações sociais estáveis com cerca de 150 pessoas. Esse limite cognitivo foi expandido a números nunca antes experimentados, a propósito, tudo se tornou número, eu e você somos números, esse é mais 1 texto, de mais 1 site, de mais 1 conteúdo.
Sendo sincera as projeções para o futuro são muito pessimistas, enquanto Educomunicadora quando falo de comunicação sem as tecnologias digitais sou vista como uma profissional ultrapassada e nada preparada, mas em um mundo de cérebros apodrecidos pensar educomunicação como ferramenta de empoderamento é mais que tudo é exercitar o pensamento crítico, a escrita e o fazer manual, um card feito com colagens, texto escrito a mão, desenhar e principalmente ouvir presencialmente sem apertar o 2x.

É urgente trocarmos a Inteligência Artificial pela Inteligência Ancestral, o conhecimento acumulado por povos originários, comunidades tradicionais e afro-diaspóricas ao longo de gerações, baseado no respeito e acima de tudo no ouvir, tem um itã que diz que Oxosse é um bom caçador porque sabe ficar em silêncio. é você tem sabido lidar com o silêncio, evitar uma ferramenta que todos gritam tentando chamar sua atenção e ouvir os barulhos que te cercam, lidar com o tédio natural da vida e os momentos chatos que organizam sua mente.
Esse texto nasce no momento em que vejo um aluno com medo de mostrar um texto que não foi revisado por uma Inteligência Artificial, se justificando pelos erros, erros esses que o tornam humano em processo de aprendizado, realizando seu exercício neural. Em junho deste ano, ouvi um podcast do Dr. Drauzio Varella, aquele médico famoso que sempre dá conselhos para melhorar a saúde, dando conselhos sobre esse tema que estou discutindo, na ocasião ele deu algumas dicas para evitar o brain rot que quero compartilhar com você, vamos iniciar com 3 práticas simples para serem feitas diariamente.
Técnicas de atenção plena:
São exercícios poderosos e ao mesmo tempo simples contra excessos virtuais que nos condicionam a estar desatentos, como jogos, navegação na internet ou um feed infinito de vídeos curtos. A técnica consiste em:
Mantenha o foco no momento presente;
Permaneça atento a si mesmo e ao seu entorno;
E principalmente permita-se sentir tédio, pois momentos sem estímulos ajudam a recuperar a criatividade.
Atividades offline:
Pratique atividades que exijam foco total, como ler livros, desenhar ou aprender algo novo. Faça atividades manuais, Ofereça novos estímulos ao cérebro que não dependa do celular.
Desconectar digitalmente:
Defina limites de tempo para o uso do celular e afaste o aparelho em momentos importantes, como durante as refeições ou antes de dormir. Tente fazer esse desafio, escolha um dia para ficar totalmente sem o celular. Eu sei que para algumas pessoas pode parecer impossível, mas você se lembra que a 10 anos atrás isso era comum?
Esse texto que você acabou de ler foi um exercício, ele sai diretamente do papel para esse blog, sem revisão e sem inteligência artificial, o que você achou?

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